Afrodite: a história da deusa da beleza e do amor
Do Homem ao Divino é um portal de conhecimento e revelações profundas sobre os grandes mistérios da humanidade. Aqui exploramos deuses ancestrais, mitos que podem ser verdades, livros apócrifos e proibidos, e as possíveis origens divinas ou cósmicas da criação. Do barro ao espírito, da terra as estrelas, mergulhe com a gente em uma jornada que desafia as versões oficiais da história. Se você busca respostas além da Bíblia, além da ciência e além do visível... este é o seu lugar.
Entre as diversas histórias de criação que atravessam culturas ancestrais, a narrativa dos iroqueses — povos indígenas da América do Norte — oferece uma perspectiva profundamente simbólica e conectada à natureza.
Segundo essa tradição, o mundo como conhecemos surgiu sobre o casco de uma tartaruga gigante, após uma mulher celeste cair do céu e ser acolhida por animais aquáticos.
Essa história não apenas descreve o surgimento da Terra, mas também revela valores fundamentais dos iroqueses: cooperação entre espécies, respeito à vida animal e a interdependência entre céu, água e terra.
Ao explorar essa narrativa, é possível compreender como diferentes culturas interpretam o início da existência e como essas interpretações moldam suas relações com o mundo natural.
A Ilha da Tartaruga não é apenas um lugar mítico — é uma metáfora viva para o planeta Terra, vista como um organismo que sustenta a vida com equilíbrio e generosidade.
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| Na tradição iroquesa, a Terra nasceu sobre o casco de uma tartaruga, símbolo de estabilidade e origem do mundo vivo. |
A história começa em um mundo celestial, onde vivia uma mulher grávida.
Por razões que variam entre versões, ela acaba caindo do céu em direção ao vasto oceano abaixo.
Sem terra firme à vista, os animais aquáticos percebem sua queda e se mobilizam para ajudá-la.
Diversos seres — como lontras, castores e patos — tentam mergulhar até o fundo do oceano para buscar terra.
Após várias tentativas, uma pequena criatura consegue trazer um punhado de lama.
Essa lama é colocada sobre o casco de uma tartaruga gigante, que se oferece como base para a nova terra.
A mulher celeste é então acolhida sobre essa superfície, e a lama começa a se expandir, formando o que hoje é conhecido como a Ilha da Tartaruga — o mundo terrestre.
Essa parte da história destaca a solidariedade entre os seres e a importância da colaboração para a criação da vida.
Na tradição iroquesa, a tartaruga não é apenas um animal — ela representa a própria Terra.
Seu casco curvo e resistente é visto como a base sobre a qual toda a vida se desenvolve.
A imagem da Terra como uma tartaruga é recorrente em outras culturas indígenas também, reforçando a ideia de que o planeta é um ser vivo que sustenta e protege.
A escolha da tartaruga como símbolo não é aleatória.
Ela é um animal longevo, pacífico e resiliente, características que refletem a visão dos iroqueses sobre o mundo natural.
A Terra não é um campo de batalha, mas um espaço de equilíbrio e continuidade.
Essa representação também influencia práticas cotidianas: o respeito à natureza, o uso consciente dos recursos e a valorização dos ciclos da vida são princípios que derivam diretamente dessa visão cosmológica.
Um dos aspectos mais marcantes da história da Ilha da Tartaruga é o papel ativo dos animais na criação do mundo.
Eles não são espectadores, mas protagonistas que agem com coragem e compaixão para salvar a mulher celeste e construir um novo lar para ela.
Essa abordagem contrasta com outras narrativas de criação onde divindades supremas moldam o universo sozinhas.
Aqui, a criação é coletiva, orgânica e profundamente conectada à fauna aquática.
Os animais são vistos como seres conscientes e capazes de decisões éticas.
Essa valorização da vida animal está presente em muitos aspectos da cultura iroquesa, desde os rituais até a alimentação e o convívio com o meio ambiente.
A história reforça que todas as formas de vida têm um papel essencial na manutenção do equilíbrio do mundo.
A Ilha da Tartaruga não é apenas o início físico do mundo — ela representa um espaço de acolhimento, transformação e renascimento.
A mulher celeste, ao cair do céu, não encontra destruição, mas sim uma nova oportunidade de vida.
Esse aspecto da história sugere que a Terra é um lugar onde diferentes forças se encontram e se harmonizam.
O céu, a água e os animais se unem para criar um ambiente fértil e seguro.
Essa visão reforça a ideia de que o planeta é um espaço de possibilidades, onde a vida pode florescer mesmo após rupturas.
A narrativa também inspira reflexões sobre como os humanos devem se relacionar com o mundo: com respeito, gratidão e consciência de que tudo está interligado.
A Terra não é um recurso a ser explorado, mas um lar a ser cuidado.
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| No mito da Ilha da Tartaruga, o mundo nasce de cima, mas são os povos iroqueses que moldam sua vida em aldeias como esta, mantendo viva a tradição da Grande Criação. |
A história da Ilha da Tartaruga, contada pelos iroqueses, é uma das mais belas expressões de criação coletiva e respeito à natureza.
Ela nos convida a olhar para o mundo com outros olhos — não como um território conquistado, mas como um organismo vivo que nos acolhe.
Ao valorizar os animais como agentes da criação e a tartaruga como símbolo da Terra, essa narrativa oferece uma alternativa poderosa às visões antropocêntricas.
Ela propõe uma cosmologia onde todos os seres têm importância e onde a vida surge da cooperação, não do conflito.
No contexto do Do Homem Ao Divino, essa história amplia nosso repertório espiritual e simbólico, mostrando que há muitas formas de entender o início da existência.
E que, talvez, todas elas tenham algo a nos ensinar sobre como viver melhor neste mundo que, para muitos, ainda é a Ilha da Tartaruga.
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